SÃO PAULO - Vendo a continuidade da política de redução de juros pelo Banco Central, o mercado é quase unânime em mais um corte de 50 pontos-base no patamar da Selic na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), de acordo com estimativas de 57 instituições compiladas pela Infomoney.
Dessas instituições, 54 esperam que o patamar da taxa básica de juro vá para 8% ao ano. Fora do consenso, está o Morgan Stanley, que acredita em uma queda mais fraca no corte da Selic, de 25 pontos-base, e a Informa Global Markets, que prevê um corte mais agressivo, de 0,75 ponto percentual. Apenas a Prosper Corretora acredita em manutenção da taxa.
"Tal perspectiva [de corte de 50 pontos-base] justifica-se na visão difundida pela autoridade monetária de que a atividade econômica doméstica vem se recuperando de forma bastante lenta, ao mesmo tempo em que o ambiente externo, enfraquecido e sujeito a muitas incertezas, exerce papel deflacionário", afirmam os economistas do Bradesco.
De acordo com a LCA Consultores, para uma decisão sem grandes polêmicas e amplamente antecipada, muito provavelmente o comunicado será muito parecido com o anterior e a decisão deverá ser unânima novamente. Para o Itaú BBA, o Banco Central deve manter as referências de que há riscos limitados para a inflação, indicando que o afrouxamento monetário deve continuar.
Relatório de Inflação baliza quadro
O Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central - apresentado no último dia 28 - reafirmou esse cenário, já que mostrou um ambiente de piora das expectativas para a economia tanto doméstica quanto global, alerta a equipe do HSBC. Entretanto, a autoridade monetária mantém uma visão ainda cautelosa sobre a alta dos preços das commodities, o que levaria um cenário favorável para a inflação.
O Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central - apresentado no último dia 28 - reafirmou esse cenário, já que mostrou um ambiente de piora das expectativas para a economia tanto doméstica quanto global, alerta a equipe do HSBC. Entretanto, a autoridade monetária mantém uma visão ainda cautelosa sobre a alta dos preços das commodities, o que levaria um cenário favorável para a inflação.
Porém, fatores como o enfraquecimento da confiança dos empresários e a desaceleração do investimento privado contribuem para os fracos números de crescimento observado no primeiro trimestre, assim como a recuperação lenta da atividade econômica. Assim, apesar de esperar uma aceleração no segundo semestre, as estimativas econômicas ainda fracas balizam as expectativas para que haja um novo corte na taxa de juro.
Mais cortes da Selic mais a frente?
Para as próximas reuniões, a expectativa é de arrefecimento nesses cortes. O JP Morgan ressalta que a aceleração da atividade no segundo trimestre de 2012 deve reduzir o processo de flexibilização através do corte da taxa básica, assim como a reversão nas isenções de impostos poderá trazer uma inflação maior mais a frente. Além disso, o comportamento dos preços das commodities e a manutenção do câmbio em torno de R$ 2,00 deve limitar a força de uma queda dos preços, aponta a equipe de economistas do banco.
Para as próximas reuniões, a expectativa é de arrefecimento nesses cortes. O JP Morgan ressalta que a aceleração da atividade no segundo trimestre de 2012 deve reduzir o processo de flexibilização através do corte da taxa básica, assim como a reversão nas isenções de impostos poderá trazer uma inflação maior mais a frente. Além disso, o comportamento dos preços das commodities e a manutenção do câmbio em torno de R$ 2,00 deve limitar a força de uma queda dos preços, aponta a equipe de economistas do banco.
"Neste contexto, onde a inflação cai para baixo de 5,0%, mas não converge para o centro da meta, de 4,5% em 2012, será difícil para o Copom estender muito o ciclo de flexibilização ainda mais para baixo no último trimestre", aponta o JP Morgan, acreditando que o ciclo de redução de cortes será interrompido em agosto, quando a Selic atingir um patamar de 7,5% ao ano. Um quadro de maior parcimônia também é aguardado devido aos efeitos cumulativos da flexibilização já implementados nas reuniões passadas.
A LCA Consultores também acredita que haverá ainda mais um corte da Selic na reunião do Copom de agosto, para 7,50% ao ano. Para os economistas da consultoria, esse patamar deve permanecer ao longo do restante de 2012 e até o quarto trimestre de 2013, quando então sofrerá um pequeno ajuste, de volta para 8,0%.
Mais agressivo, o Itaú BBA espera outros cortes de 50 pontos-base na taxa básica de juros nas próximas duas reuniões do Copom, o que levando a taxa de juros básica para 7% ao final de 2012.








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